É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.

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10 de julho de 2017 | 0 comentários

Um sereno senso de lenta inevitabilidade da gradual mudança na crosta da terra vem até a mim; um amor consumível, não por um deus, mas pelas limpas e inquebráveis pedras, as pedras sem nome, as ondas sem nome, a grama pisada, que são sem nome, tudo aquilo que foi definido momentaneamente e inconscientemente por aqueles que os observam. Com o sol queimando na pedra e na carne, o vento balançando a grama e o cabelo, há uma estranheza que cega o imenso inconsciente impessoal e as forças neutras irão durar, e que o organismo frágil, milagrosamente tricotado, que os interpreta, dá-lhes significado, se moverá um pouco, depois vacilará, falhará e se decomporá finalmente no solo anônimo, sem voz, sem rosto, sem identidade.

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