whisky com gelo

30 de abril de 2016

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O cigarro caindo da boca, ao lado. Deixava mostrar sua falta de cuidado entre a fumaça que cobria seu olhar.
Mil ideias voavam numa sala escura e abafada. A poltrona que causava dores na coluna inferior, não saía da perspectiva do ambiente: Continha cinzas, restos de comida e muitos anos de existência. Sua sala não era de toda suja, mas sua mente era. Em frações de segundos ideias assassinas preenchiam os espaços insanos. Em assunto de ação sua mão e seu corpo se cansavam e nada faziam. Seu destino era pensar.
O copo de whisky por entre os dedos alimentava o passado. Lembranças de putas com quem estivera em outros tempos ajudavam o masoquismo frio perpetuar-se com veemência. Era sujo, mas era vida. Agora só restava seu assento em um cômodo qualquer. Seu ar vinha do tabaco. Seus movimentos eram mínimos e calculados. Seus pensamentos enojavam os deuses que os sentiam. Não saiu de uma morta vida, porém, o telefone tocou. Com o corpo levantou-se e entre o labirinto da casa e a labirintite da cabeça, seguiu cambaleando com dificuldades para respirar. Atendeu e falou. Sua ação estava feita. Sua vida estava morta.

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