É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.

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lembranças

10 de abril de 2016 | 0 comentários

       

Até a uns meses atrás eu ainda ficava devastada pois achava que o amor da minha vida tinha me deixado em frangalhos. descobri da pior forma possível que ele não merecia o meu amor, nem minha atenção, muito menos o tempo que dediquei para ele. foi horrível. o mundo dá voltas e há dois anos eu o ouvia, por meio de um áudio inútil, de um app inútil, da boca do suposto verdadeiro amor e homem da minha vida aquelas três palavrinhas mágicas: eu te amo. um sussurro. repete? euteamo. nunca me senti tão sublime, há quem queira me convencer que o paraíso é no céu, mas desde esse dia eu tive a certeza de que eles estava aqui na terra, morando nele e na boca dele dizendo essas três palavras para mim. euteamo. eu também. e como amo! não... amava. eu te amava. e ainda penso como nunca serei capaz de expressar tudo isso, como nunca mais poderei ouvir esse eu te amo de novo.

eu sofro de um jeito além do doloroso quatro vezes por ano. o dia do meu aniversário, o aniversário de namoro, de término e o dia em que a gente marcou de se encontrar. como é que se enterra alguém que permanece vivo? como se mata alguém que não morreu? retificando: eu sofro de um jeito doloroso cinco vezes por ano. seu aniversário é um deles.

(porque nele você existe para o mundo e pra mim nunca mais [?]) (quanto tempo dura um nunca mais? )

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