É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.

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Era uma vez o silêncio.

10 de abril de 2016 | 0 comentários

O silêncio foi se arredondando, cheio de formas e cúmplices. O silêncio foi se alastrando feito tinta em papéis em branco. Afastou as fronteiras
Inocentou o tempo. Abriu as pernas.
O silêncio preencheu de vazio das letras que mal cabiam no espaço. Eram imensas, duradouras. Hoje, são incertezas ditas em tons de transparência. O silêncio vestiu-se de homem. É ativo e transpira. O silêncio é faminto. Invade os poros.
O silêncio projeta-se no alheio, nas fotografias. As ias, os ditongos, as rimas foram comidas por esse tal do silêncio.
Ele é covarde, franzina. Mal se sustenta nas pernas. O silêncio tem asas cortadas e me recrimina.
Era uma vez o silêncio.

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